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Boletim Amazônia ITC 2.0 #04: Vacinação contra Covid-19 é mais lenta para indígenas da Amazônia

23 mar de 2021, por OKBR

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Apenas um terço dos indígenas vacinados estão na região, apesar de 60% dessa população viver ali; imunização é a mais atrasada entre os grupos priorizados pelo governo federal

→ Análise dos microdados da vacinação revela que o ritmo da imunização entre povos indígenas caiu bruscamente. Nos registros obtidos até 11/3, somente 29% do grupo priorizado havia recebido a segunda dose; 

→ Velocidade de aplicação é menor que em outros grupos; público priorizado de Trabalhadores da Saúde é 13 vezes maior, mas já havia recebido 67% da primeira dose — contra 55% dos indígenas; 

→ A qualidade dos dados deixa a desejar: 44.522 pessoas vacinadas (19%) no grupo povos indígenas até então foram registradas em outra categoria de raça/cor (amarela, branca, preta e parda) e 29.062 (12%) registros não traziam essa informação; 

→ 21% dos registros do país não informavam raça/cor; em algumas unidades da federação, o problema é mais grave: no DF chega a 42%, RJ tem 39% sem esse dado e SP, 36%; 

→ Base de dados de vacinação não detalha etnias indígenas de pessoas vacinadas, impossibilitando o acompanhamento efetivo da imunização; 

→ Há expressiva discrepância nas fontes oficiais: o painel de Imunização Indígena registrava, em 11/3, 85 mil doses a mais que o informado nos microdados do OpenDataSUS; 

→ Quase 6 mil indígenas constam como tendo recebido apenas a segunda dose, e cerca de 4 mil indígenas previstos no plano de vacinação são desconsiderados no painel. 

 
O 4º Boletim especial sobre a Amazônia do Índice de Transparência da Covid-19 (ITC-19) traz uma análise sobre a vacinação de povos indígenas  na região da Amazônia Legal. A série é realizada pela Open Knowledge Brasil, com o apoio da Hivos e seu programa Todos os Olhos na Amazônia.

Os dados mostram que o ritmo de imunização entre povos indígenas é o que está mais atrasado entre os grupos priorizados pelo governo federal. Sem a certeza sobre a disponibilidade de doses para completar a vacinação — que só é efetiva, nas vacinas disponíveis atualmente no país, com duas doses —, as secretarias de saúde passaram a aplicar a segunda etapa, em detrimento de alcançar o total do público previsto.  Com isso, a vacinação de novas pessoas indígenas foi drasticamente reduzida quando ainda estava no patamar de 55% da população prevista, enquanto a segunda dose só chegou a 29% do público de 413.739 indígenas que deveriam tomar a vacina. A análise se baseou nos microdados da vacinação disponíveis no OpenDataSUS em 11 de março.

O estudo revela também que  a vacinação de povos indígenas na Amazônia Legal segue em ritmo mais lento que em outras regiões do país. Um terço (34%) dos vacinados está na região, que abriga pelo menos 60% da população indígena brasileira.

Qualidade dos dados

A base de dados disponibilizada pelo Ministério da Saúde dificulta a análise e o monitoramento do processo de vacinação da população indígena. Isso porque ela apresenta uma série de problemas de preenchimento e consistência. 

Por exemplo, em 21% dos registros de todo o país, não há informação sobre o quesito raça/cor. O problema é mais grave em entes como Distrito Federal (42%), São Paulo (36%) e Rio de Janeiro (39%). Além disso, a base não traz informação sobre etnia indígena entre os vacinados, o que acontece em outras bases de dados sobre a Covid-19.

Downloads:
BOLETIM ESPECIAL | AMAZÔNIA #04
Mais informações no site: transparenciacovid19.ok.org.br


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